{"id":8495,"date":"2022-09-28T17:05:37","date_gmt":"2022-09-28T17:05:37","guid":{"rendered":"https:\/\/web.weboost.pt\/osteo360\/endofibrose-da-arteria-iliaca-o-calcanhar-de-aquiles-dos-ciclistas\/"},"modified":"2022-09-28T17:05:37","modified_gmt":"2022-09-28T17:05:37","slug":"endofibrose-da-arteria-iliaca-o-calcanhar-de-aquiles-dos-ciclistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/web.weboost.pt\/osteo360\/endofibrose-da-arteria-iliaca-o-calcanhar-de-aquiles-dos-ciclistas\/","title":{"rendered":"Endofibrose da Art\u00e9ria Iliaca: o \u201ccalcanhar de Aquiles\u201d dos ciclistas"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Muito se fala e escreve sobre diversas patologias que surgem associadas ao desporto. Quase todas elas t\u00eam em comum o comprometimento essencialmente de estruturas neuro musculo esquel\u00e9ticas (tend\u00e3o, ligamento, m\u00fasculo, articula\u00e7\u00e3o, osso, nervo), no entanto pouco \u00eanfase se d\u00e1 \u00e0s estruturas arteriovenosas que s\u00e3o respons\u00e1veis pela \u201calimenta\u00e7\u00e3o\u201d de toda a m\u00e1quina neuro muscular.<\/p>\n<p>As estruturas vasculares, mais especificamente as art\u00e9rias, podem ver a sua fun\u00e7\u00e3o comprometida devido a diversos fatores, originando patologias muitas vezes mais incapacitantes e de maior dificuldade de diagn\u00f3stico do que as estruturas neuro musculo esquel\u00e9ticas.<\/p>\n<p>A endofibrose da art\u00e9ria il\u00edaca \u00e9 um desses casos que iremos abordar ao longo deste artigo, uma vez que ainda est\u00e1 subdiagnosticada no nosso pa\u00eds e importa sensibilizar os atletas e profissionais que os acompanham para esta patologia.<\/p>\n<p>Nos utentes jovens, desportivas, com queixas de dor no membro inferior ou impot\u00eancia funcional para o exerc\u00edcio, mesmo que estes n\u00e3o possuam fatores de risco para patologia arterial, a possibilidade de doen\u00e7a arterial obstrutiva, como \u00e9 o caso da endofibrose, dever\u00e1 ser tida em considera\u00e7\u00e3o. Esta patologia foi at\u00e9 hoje mais frequentemente observada em ciclistas, mas tamb\u00e9m pode ocorrer em outras atividades como \u00e9 o caso dos maratonistas, atletas de triatlo, jogadores de rugby e de futebol, patinadores de velocidade, esquiadores e culturistas.<\/p>\n<p>Neste artigo, iremos dar \u00eanfase sobretudo ao que ocorre com maior preval\u00eancia nos ciclistas, no entanto podemos desde j\u00e1 afirmar que todas estas modalidades embora ocorram em meios completamente diferentes e que \u00e0 primeira vista n\u00e3o pare\u00e7am ter nada em comum, h\u00e1 algo que as une, especialmente nos seus gestos t\u00e9cnicos: o movimento de flex\u00e3o da anca repetido e com pot\u00eancia.<\/p>\n<p>O uso da bicicleta tem tido um crescimento exponencial nos \u00faltimos anos, seja para uso competitivo, como para condicionamento f\u00edsico, lazer ou meio de transporte. No entanto, \u00e9 nos atletas que surge maior predisposi\u00e7\u00e3o para endofibrose da art\u00e9ria il\u00edaca uma vez que andam muito pr\u00f3ximo do limiar do treino de alto rendimento e o sobretreino, com a agravante da postura na bicicleta e a t\u00e9cnica de pedalar poderem ser inadequadas.<\/p>\n<p>Segundo a literatura um em cada 5 ciclistas de elite apresentam limita\u00e7\u00e3o do fluxo sangu\u00edneo nas art\u00e9rias il\u00edacas, sendo por norma a art\u00e9ria il\u00edaca esquerda mais comprometida do que a direita. Entre os ciclistas diagnosticados com endofibrose da art\u00e9ria il\u00edaca externa, \u00e9 poss\u00edvel observar que a pr\u00e1tica de treino anual varia de 5.000 km a 33.000 km, sendo que os sintomas, segundo os casos relatados, podem surgir ap\u00f3s terem acumulado dist\u00e2ncia que varia de 50.000 km a 380.000 km.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5053\" src=\"https:\/\/www.osteoperformance.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/-20\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"301\" \/><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Quais s\u00e3o os sintomas de alerta de uma endofibrose?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os sintomas s\u00e3o vari\u00e1veis de acordo com os atletas e com a gravidade e a cronicidade da les\u00e3o, mas a maioria reporta dor desde a regi\u00e3o gl\u00fatea at\u00e9 ao joelho, sensa\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o de for\u00e7a muscular e membro preso, c\u00e3ibras e por vezes dorm\u00eancia.<\/p>\n<p>Estes sintomas inicialmente surgem sobretudo em esfor\u00e7o, mas alguns permanecem em repouso, onde se inclui tamb\u00e9m a claudica\u00e7\u00e3o intermitente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Mas porque ocorre a endofibrose da art\u00e9ria il\u00edaca?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>As art\u00e9rias s\u00e3o os vasos que transportam o sangue oxigenado para todos os tecidos do corpo. Neste caso, as art\u00e9rias il\u00edacas externas s\u00e3o o principal canal de suprimento de sangue para os m\u00fasculos dos membros inferiores.<\/p>\n<p>A endofibrose desta art\u00e9ria origina uma restri\u00e7\u00e3o do fluxo sangu\u00edneo que pode ocorrer essencialmente por uma tor\u00e7\u00e3o da art\u00e9ria e por uma diminui\u00e7\u00e3o do seu calibre, como iremos explicar abaixo. Em qualquer um dos cen\u00e1rios, o fluxo sangu\u00edneo para o membro inferior \u00e9 reduzido, o que diminui o fornecimento de oxig\u00e9nio para os m\u00fasculos, provocando o aparecimento dos sintomas.<\/p>\n<p>O processo de endofibrose caraterizado pelo espessamento progressivo da parede arterial localiza-se, na maioria dos casos, na art\u00e9ria il\u00edaca externa, no entanto pode ocorrer tamb\u00e9m na il\u00edaca comum, femoral ou femoral profunda.<\/p>\n<p>Isto pode ocorrer por uma combina\u00e7\u00e3o de mecanismos internos e externos: a postura na bicicleta durante muito tempo e com cargas elevadas de treino, combinado com alto d\u00e9bito card\u00edaco, hipertens\u00e3o arterial e fluxo sangu\u00edneo turbulento.<\/p>\n<p>A hiperflex\u00e3o da anca no movimento e postura do ciclista, associado a uma compress\u00e3o da art\u00e9ria pela hipertrofia do m\u00fasculo psoas e ligamento inguinal s\u00e3o uns dos respons\u00e1veis pela diminui\u00e7\u00e3o do fluxo sangu\u00edneo. Com o aumento do fluxo associado e da press\u00e3o arterial que ocorre em esfor\u00e7os subm\u00e1ximos e m\u00e1ximos, esse fluxo associado \u00e0 tor\u00e7\u00e3o e compress\u00e3o da art\u00e9ria, provoca uma colis\u00e3o do sangue contra a camada interna da parede da art\u00e9ria, resultando numa les\u00e3o da mesma e consequente resposta endofibr\u00f3tica.<\/p>\n<p>Alguns estudos indicam ainda que uma das raz\u00f5es apontadas em cima, a hipertrofia do m\u00fasculo psoas, agrava com a utiliza\u00e7\u00e3o do pedal de encaixe, uma vez que nestes casos ocorre uma for\u00e7a c\u00edclica para puxar o pedal, provocando ainda mais resist\u00eancia no movimento de flex\u00e3o da anca.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-5054\" src=\"https:\/\/www.osteoperformance.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/-21-300x220.\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"220\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Como \u00e9 feito o diagn\u00f3stico?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico destes casos ocorre na maioria das vezes tardiamente devido ao facto de inicialmente suspeitar-se sempre de uma les\u00e3o musculo esquel\u00e9tica. No entanto, com o agravamento de sintomas, come\u00e7am a realizar-se exames mais pormenorizados como \u00e9 o caso do ecodoppler dos membros inferiores, que normalmente apresenta nestes casos uma redu\u00e7\u00e3o significativa do \u00edndice tornozelo\/bra\u00e7o. A presen\u00e7a de endofibrose torna-se, assim, numa das possibilidades de diagn\u00f3stico que mais tarde com angiotomografia pode vir a ser confirmada.<\/p>\n<p>Outra forma de diagn\u00f3stico pode ser atrav\u00e9s de um teste de provoca\u00e7\u00e3o de sintomas, com um cicloerg\u00f3metro em teste de esfor\u00e7o m\u00e1ximo monitorizando o \u00edndice acima referido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A endofibrose tem tratamento? Como podem os ciclistas prevenir que apare\u00e7a?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O tratamento depende dos fatores de gravidade da les\u00e3o, por\u00e9m o tratamento conservador deve ser sempre o inicialmente recomendado antes da necessidade de procedimento cir\u00fargico.<\/p>\n<p>No tratamento conservador, destacamos a import\u00e2ncia da Fisioterapia e Osteopatia, que permitem ao atleta por um lado avaliar e reeducar o seu posicionamento na bicicleta bem como o seu gesto t\u00e9cnico, e por outro equilibrar as estruturas musculo osteo tendinosas de modo a diminuir a press\u00e3o sobre a art\u00e9ria il\u00edaca externa, bem como intervir sobre a mesma com t\u00e9cnicas n\u00e3o invasivas.<\/p>\n<p>Este procedimento no processo de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m utilizado como forma de diminuir a probabilidade de ocorr\u00eancia desta patologia, uma vez que um ciclista mais apto, mais equilibrado, mais eficiente durante o seu gesto t\u00e9cnico e com uma melhor rela\u00e7\u00e3o no bin\u00f3mio ciclista-bicicleta, permite diminuir a sobrecarga sobre a regi\u00e3o da art\u00e9ria il\u00edaca externa e, consequentemente, diminuir a probabilidade de ocorr\u00eancia de les\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, salientar que um processo de endofibrose num dos membros leva consequentemente a uma sobrecarga do membro oposto, por fadiga precoce e dor do membro lesado, podendo nestes casos tamb\u00e9m, com o prolongar da situa\u00e7\u00e3o, proporcionar o aparecimento de les\u00f5es, de car\u00e1ter musculo esquel\u00e9tico, no membro oposto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p><em>Peach G, Schep G, Palfreeman R, Beard JD, Thompson MM, Hinchliffe RJ. (2012). Endofibrosis and kinking of the iliac arteries in athletes: a systematic review. Eur J Vasc Endovasc Surg. 43(2):208-17.<\/em><\/p>\n<p><em>Feugier P, Chevalier J. (2004). Endofibrosis of the iliac arteries: an underestimated problem. Acta Chir Belg. 104(6):635-40.<\/em><\/p>\n<p><em>Carmo G, Rosa A, Ministro A, Cunha e S\u00e1 C, Pestana C. (2008). Isquemia cr\u00f3nica dos membros inferiores, de etiologia n\u00e3o ateroscler\u00f3tica, em desportistas jovens [Non-atherosclerotic lower limbs ischemia in young athletes]. Rev Port Cir Cardio Tor Vasc. 15(3):157-61.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Autor:<\/strong><\/p>\n<p>Dr. Bruno Ferreira[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]Muito se fala e escreve sobre diversas patologias que surgem associadas ao desporto. 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